Origens do marketing de conteúdo: como tudo começou?

Origens do marketing de conteúdo: como tudo começou?

Que o marketing de conteúdo caiu no gosto do meio empresarial no Brasil e no mundo não é novidade para ninguém. Muita gente acreditou que pudesse se tratar de uma moda passageira e efêmera. No entanto, o marketing de conteúdo é mais antigo do que se pensa, e surgiu com uma revistinha para agricultores no interior dos Estados Unidos, há 122 anos atrás.

A revista The Furrow é um dos primeiros cases de sucesso de marketing de conteúdo, surgindo do hábito de ouvir e contar histórias e do conhecimento aprofundado dos clientes, sempre na busca por inovação e solução de problemas. Ficou curioso? Para entender melhor como o marketing de conteúdo surgiu, precisamos viajar 122 anos no tempo, para conhecer John Deere e sua história.

Infância em Middlebury

Middlebury é hoje uma cidadezinha localizada ao centro do estado de Vermont, nordeste dos Estados Unidos, com pouco mais de 16 mil habitantes. Seu inverno rigoroso era um grande desafio dos produtores de feno e grãos da região. Em 1805, William Rinold e Sarah Yates, um casal de camponeses desembarcava na cidade, trazendo consigo seus três filhos. Um deles, uma criança de colo, batizada um ano antes como John Deere.

William, se estabeleceu como alfaiate na cidade. Três anos depois, embarcou em um navio com destino à Inglaterra, para reclamar uma herança à qual tinha direito e, desse modo, dar aos filhos um futuro menos incerto. Morreu no mar, a caminho da Europa. John Deere e seus irmãos foram, a partir de então, criados pela mãe, com uma renda baixíssima e educação precária.

Mudança para Grand Detour: desafios e oportunidades para John Deere

Os efeitos da depressão econômica que viria a abalar os Estados Unidos ao fim da década de 1830 já se manifestavam com grande força em Middlebury. John Deere, que aprendeu de maneira autodidata a prestar serviços de serralheiro na adolescência, viu a necessidade de deixar a cidade em busca de um recomeço. Viajou aproximadamente 1.600 quilômetros, até chegar ao estado de Illinois e se estabelecer no distrito de Grand Detour, condado de Ogle County.

Deere trabalhava duro e não demorou muito para receber boas ofertas por seus serviços na região. Enquanto trabalhava, John gostava de ouvir as histórias que seus clientes contavam. Foi assim que percebeu que os arados utilizados pelos agricultores havia sido pensado para o solo da Nova Inglaterra, ao nordeste dos Estados Unidos. Lá, o solo era arenoso e fofo, enquanto em Illinois o solo se mostrava pesado e denso. Consequentemente, arar o solo de Grand Detour era um grande desafio na ausência de ferramentas adequadas.

John Deere inova no arado da região

Já que o velho arado da Nova Inglaterra era inadequado ao tipo de solo de Illinois, John Deere se debruçou em um projeto inovador e astucioso que pudesse solucionar o problema dos agricultores. Em 1837, Deere desenvolveu, a partir de uma lâmina de serra quebrada, um novo tipo de arado, moldado e polido de modo a penetrar com mais facilidade no solo da região.

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O novo arado, muito mais eficiente para a realidade local, ganha fama na região. Somente no ano de 1841, John Deere comercializou mais de 100 arados, e a demanda só crescia. No ano de 1850, foram produzidos aproximadamente 1600 arados, extrapolando as fronteiras de Grand Detour e do estado do Illinois. John manteve, durante toda a vida, o hábito de ouvir as histórias de seus clientes. Buscava compreender suas dores e problemas mais latentes, sempre pensando em oferecer a solução ideal para cada situação.

E onde o marketing de conteúdo entra nisso tudo?

Um dos alicerces do marketing de conteúdo é compreender a dor do cliente e levar a solução ideal para ele. É muito simples, Deere fez um trabalho de imersão ao ouvir as histórias dos agricultores da região e, dessa forma, desenvolveu a solução ideal para eles. O arado criado por Deere foi especialmente desenvolvido para aqueles agricultores. Se houvesse, por exemplo, oferecido o mesmo arado na Nova Inglaterra, é muito provável que ninguém compraria.

Ou seja, Deere mapeou sua persona muito antes do conceito ter surgido! Como resultado, expandiu seus negócios até se tornar um dos empresários mais importantes dos Estados Unidos.

Mas a história não acaba por aqui

Reviravolta: não foi John Deere quem inventou o marketing de conteúdo. Foi seu filho.

John Deere teve um filho e deixou sua companhia, Deere & Company, já uma gigante da indústria agropecuária, como herança ao filho, Charles Deere. Charles se dedicava também em ouvir as histórias dos agricultores para compreender de que modo a empresa poderia se destacar ainda mais no mercado.

Charles Deere percebeu que, muito mais que produtos adequados, os agricultores da região precisavam de ajuda para orientar seus trabalhos. Muitos destes agricultores ainda resistiam ao uso de novas tecnologias e inovação em suas plantações e precisavam ser convencidos de que poderiam otimizar a produção com novas ferramentas. Outros precisavam de ajuda para entender como utilizar essas novas tecnologias da maneira correta, aumentando sua produtividade e, consequentemente, impulsionando suas vendas.

Pensando nisso, Charles desenvolveu e lançou, no ano de 1895, a revista The Furrow, que é o nome dado à fissura que o arado deixa na terra. Na época, já eram distribuídos diversos catálogos para vendas de produtos, e é aí que consiste a grande inovação de Charles Deere.

O propósito da revista não era vender os produtos da empresa, mas sim educar o agricultor. Indicar as maneiras corretas de uso, informar a respeito de novidades do mundo do arado, e desse modo direcionar os fazendeiros a melhores resultados e, em consequência, mais demanda por arados da Deere & Company.

Outros casos de sucesso do arco da velha:

Marketing de conteúdo já existe há mais tempo que imaginamos, e não é uma moda passageira. O caso da Deere & Company é uma primeira aplicação do conceito. No entanto outras empresas foram na onda e também apostaram na estratégia ainda naquela época:

110722-Kuperman-MichelinMichelin: trata-se de outro case histórico de marketing de conteúdo muito anterior à internet. O ano era 1900, quando a Michelin, fabricante de pneus, passou a distribuir aos motoristas o Guia Michelin, um livreto de aproximadamente 400 páginas. Nele, instruções práticas de como fazer a manutenção do carro corretamente, além de dicas de viagens, orientações para chegar a postos de gasolina, mecânicos e, é claro, lojas que vendessem pneus. Contudo, assim como no caso da Deere & Company, o objetivo não era vender o pneu, mas incentivar que as pessoas viajassem mais, usando seus pneus e os gastando mais rapidamente.

 

 

original_1932.jelloJell-O: a empresa é, atualmente, uma das maiores marcas de gelatina dos Estados Unidos. No entanto, teve de escalar desde o anonimato até conseguir destaque no mercado. Para ganhar popularidade no mercado, a empresa desenvolveu e distribuiu o Livro de Receitas Jell-o, com receitas que envolviam, adivinhe só: gelatina! Até 1906, a empresa estava arrecadando mais de 1 milhão de dólares.

 

 

 

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