OKR: o que é e como aplicar – tudo que você precisa saber

OKR: o que é e como aplicar – tudo que você precisa saber

Acelerar o crescimento da empresa é o sonho de todo empreendedor. Por isso, de tempos em tempos, novas tendências vão surgindo para ajudar nessa tarefa. O que muito empreendedor não percebe, no entanto, é que para crescer com consistência e de modo sustentável, é preciso planejamento. O crescimento começa pela gestão das metas, e é aí que entra a metodologia de OKR.

Como a metodologia de OKR surgiu?

Você com certeza conhece a Intel. Pode até não ser um expert na história da multinacional norte-americana, com sede em Santa Clara, Califórnia, especializada em desenvolver circuitos integrados complexos e produtos para informática, mas é muito provável que algum dispositivo da empresa já tenha passado por seu escritório ou residência.

A Intel é hoje uma gigante do mercado semicondutores. É provável que a Intel, aparentemente não tenha muito a ver com seu negócio hoje, mas vamos voltar um pouco no tempo, até o comecinho dos anos 1970. A Intel ainda engatinhava, havia sido fundada em 1968 e buscava meios de crescer e expandir no mercado estadunidense. Em 1971, a Intel desenvolveu o primeiro microprocessador, o Intel 4004:

Intel_D4004

Para competir com o mercado asiático, a Intel precisou de encontrar uma forma de otimizar seus esforços para crescer mais em menos tempo. Para isso, contratou John Doerr, que desenvolveu e implementou na empresa, pela primeira vez no mundo dos negócios, a metodologia de OKR. Ninguém melhor que ele mesmo para explicar esse momento:

“A Intel vinha em um processo de transição, passando de uma empresa de memória RAM para se tornar uma empresa de microprocessadores. Andy Grove (um dos primeiros engenheiros da Intel, que chegou a presidir a empresa) e o time administrativo precisavam de colaboradores para focar em um conjunto de prioridades que levariam a uma transição bem-sucedida. Criar o sistema de OKR foi fundamental neste processo.” – John Doerr, em entrevista concedida ao blog Better Works, em 2014..

O que é OKR?

John Doerr, ele mesmo, quem desenvolveu o conceito de OKR, define a metodologia em uma fórmula bastante simples:

Eu vou (objetivo) mensurado por (resultados)

Por exemplo: eu vou (ampliar a eficiência do e-mail marketing de conteúdo da minha empresa) mensurado por (taxa de abertura e cliques nas minhas campanhas de e-mail).

Portanto, a metodologia tem como bases objetivos e resultados. Trata-se de um sistema de metas que divide a empresa, ou o setor, em um número de equipes que varia de acordo com o número de colaboradores, e estipula objetivos micro condicionados a resultados para cada equipe. Cada objetivo deve estar relacionado ao alcance de um objetivo macro da empresa.

Para atingir os resultados esperados, cada equipe deve determinar ações a serem realizadas em um período x para que a empresa consiga, ao fim de um período y, atingir seu objetivo macro. O mais comum é que as OKRs sejam revisadas a cada trimestre.

Não é nenhuma regra, porém era o período utilizado pela Intel, por se tratar de um período nem muito curto, nem muito longo. O hábito de revisitar as OKRs a cada trimestre foi reproduzido em maior escala mais tarde, em empresas como o Facebook, a Amazon e o Google, que implementou a metodologia de OKR em 1999, quando ainda tinha somente 40 funcionários.

Para facilitar o raciocínio:

metodologia-okrs

Na metodologia de OKR, todos participam – comprometimento

É comum que as metas sejam definidas por um grupo restrito e seletivo de colaboradores mais bem colocados dentro da ordem hierárquica da organização. Estes colaboradores, após definir os objetivos da corporação, os repassam para o demais funcionários. Assim, a equipe fica alienada aos objetivos da empresa e vai atrás, desnorteada, vai atrás da meta sem compreender ao certo seus propósitos estratégicos para a empresa.

Na metodologia de OKRs, todos os colaboradores são envolvidos no processo de definição de metas. As metas, por sua vez, são públicas. Todos têm acesso às metas de todos. Assim, os colaboradores entendem em qual sentido a empresa está avançando e aonde ela deseja chegar.

Além disso, as OKRs são desafiadoras! Elas instigam o colaborador a ir mais longe, tentar mais, conseguir resultados cada vez melhores e ser mais produtivo. Nas palavras de John Doerr:

“Criar o sistema de OKR ajudou tremendamente a Intel. Era incrível a sensação de saber as metas do Andy (Andy Grove), as metas do meu supervisor, e as metas dos funcionários com cargos equivalentes aos meus. Eu podia aliar meus objetivos aos objetivos da empresa! Lembro que mantinha minhas OKRs pregadas a um quadro no meu escritório e escrevia novas OKRs a cada trimestre. Desde então, nunca mais abandonei a metodologia.” – John Doerr

Aplicação da metodologia de OKR

John Doerr se consolidou um dos mais relevantes investidores em negócios de tecnologia no mundo. Isso o levou ao Google em 1999, ainda em estado embrionário da empresa gigante que é hoje, para liderar a implementação do sistema de OKRs na empresa.

John Doerr foi bem-sucedido tanto na implementação da metodologia na Intel, quanto no Google. Segundo ele, o segredo é o comprometimento de todos:

“As empresas precisam tornar o sistema de OKR parte do seu DNA. É preciso convicção em torno das metas estipuladas e do sistema adotado. O comprometimento deve vir de todos os níveis, desde o CEO, os líderes de cada setor, até cada um dos colaboradores. Deu certo no Google e na Intel porque o Larry Page (CEO do Google) e o Andy Grove (Intel) estavam comprometidos e tinham amplo apoio do restante da empresa.”

O Google aplica a metodologia até hoje. Rick Klau, sócio da Google Ventures Startup Lab | GV, conta que, em 2007, quando ingressou na empresa, jamais havia ouvido falar em OKR. Nem sabia do que se tratava. Agora, afirma já ter participado do processo de OKRs ao menos 24 vezes.

Neste vídeo, ele conta um pouco como o Google empresa o sistema de OKRs, assista na íntegra:

Não há, ao certo, regras para estipular OKRs. No entanto,  a partir das considerações de Klau no vídeo, pode-se extrair o seguinte esqueleto para orientar sua equipe na aplicação da metodologia:

OKRs

  • As OKRs, segundo Klau, devem ser públicas para todos os colaboradores da empresa;
  • Não precisam estar diretamente relacionadas à avaliação de rendimento;
  • OKRs devem ser definidas e então revisadas a cada bimestre, trimestre ou semestre, como a empresa achar mais proveitoso, além de uma avaliação ao fim do ano;
  • OKRs podem ser divertidas;
  • OKRs devem ter como bases: liderança, ferramentas e procedimento.

Objetivos

  • Podem, mas não devem, necessariamente, ser mensuráveis. Por exemplo, alguns objetivos, como aumentar a visibilidade de uma marca, não podem ser mensurados com exatidão, suas métricas são mais interpretativas que precisas;
  • No entanto, um objetivo deve estar relacionado a outro, de importância mais abrangente. Por exemplo: aumentar a visibilidade da marca (I) para gerar mais vendas (II);
  • Um colaborador não deve ser envolvido em mais de cinco objetivos;

Indicadores-chave de rendimento:

  • Os indicadores devem ser mensuráveis. Por exemplo, para aumentar a visibilidade da marca, a empresa investirá R$1000,00 em anúncios em redes sociais. Tanto o investimento quanto os indicadores como pessoas alcançadas, curtidas, compartilhamentos, são mensuráveis;
  • Devem ser desafiadores;
  • Estes indicadores, para facilitar a avaliação, devem ganhar notas a cada período estipulado pela empresa. 0.6 – 0.7 é uma boa média, enquanto 0.4 abaixo é uma média baixa, que deve ser melhorada;
  • Cada objetivos deve ter, no máximo, 4 indicadores de rendimento.

Um exemplo prático

Um novo ano se inicia para Sua Empresa S.A., e com ele, novos desafios e oportunidades. Oportunidade, por exemplo, de inovar na gestão de metas. Tendo isso em mente, Cláudia, CMO da Sua Empresa S.A., que ficou sabendo em um artigo na Internet a respeito de uma metodologia inovadora para gestão de metas, a apresenta aos sócios da empresa.

A diretoria, apesar de encantada com a metodologia, fica com um pé atrás. “Parece bagunça. Além do mais, Sua Empresa S.A. não é o Google”, dizem a ela. Cláudia insiste na ideia, até que, tentada pela metodologia, a diretoria permite realizar um laboratório no setor de marketing. Caso dê certo, será aplicada também nos demais setores. Caso dê errado, nunca mais se fala nesse negócio de OKRs.

Cláudia reúne seu time. São, ao todo, 6 redatores, 3 designers e 2 estagiários. Sua divisão por equipes é facilitada, portanto. Forma um time de redatores, um de designers e um de estagiários, reforçados por Cláudia, que os ajudará em suas tarefas. Apresenta a eles a seguinte meta: aumentar a visibilidade da marca.

Trata-se de um objetivo macro que a empresa deseja alcançar. Cada equipe pensa em objetivos menores que levarão a atingir essa meta:

  • O time de redatores estabelece a meta de posicionar o blog da empresa no topo do Google;
  • O time de designer vê a necessidade de renovar a identidade visual da marca;
  • O time de estagiários pretende fazer a empresa dobrar o número de curtidas na página da empresa no Facebook até o fim do ano.

Terminada a reunião, Cláudia determina que em duas semanas as equipes devem apresentar três ações cada um para atingir a meta estipulada.

As duas semanas se passam, e as equipes apresentam suas ações:

  • Para posicionar o blog da empresa no topo do Google, os redatores propõem inserir uma foto a mais em cada publicação feita; um dos redatores iniciará um curso pago de SEO e marketing de conteúdo para compreender melhor de que modo o Google funciona; este redator prestará uma curadoria para educar o restante do time;
  • Para renovar a identidade visual da marca, o time de designers propõe criar um novo logotipo; desenvolver avatares para cada um dos redatores; criar um mascote para a empresa;
  • Para dobrar o número de curtidas no Facebook, os estagiários propõem orçar campanhas de Facebook Ads; aumentar em ⅓ as postagens feitas na rede social; desenvolver uma hashtag para gerar engajamento entre as pessoas impactadas pela company page.

As ações de ficam organizadas dessa forma:
metodologia-okrs-empresa

Ao fim do período de três meses, Cláudia se reunirá com as equipes e as três apresentarão os resultados obtidos com suas ações!

É assim que funciona a metodologia de OKR. Bastante simples, não é mesmo? Chegou a hora da sua empresa inovar também na gestão de metas. Experimente a metodologia de OKR e vá ainda mais longe!

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